quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Um grama de 'provavelmente' vale um quilo de 'talvez'.

Pena que ninguém se dá conta disso. Eu odeio (e olha que não gosto de usar essa palavra) talvez. Talvez, pra mim, é coisa de quem fica em cima do muro, de quem se veste de rodeios e de quem não sabe o que quer. Talvez é o cúmulo da incerteza. Melhor nem falar. Melhor é um 'não' bem (mal)dito que um talvez insosso. Talvez não tem nada, absolutamente nada de altruísta. Um talvez caminha no mesmo patamar que o  'não se prenda por mim'. Ambos não dizem nada com nada. Talvez é livro que a gente para de ler no meio do caminho: quase nunca volta pra terminar...

Prefiro ficar com o 'provavelmente'. Ou não fico com nada.

Os homens são como tapetes; às vezes precisam ser sacudidos.

Provérbio árabe

As palavras podem ferir mais que punhais; e o tom, mais que as palavras.

Frederico da Prússia em carta a Voltaire

Para um cavalo cansado, até seu rabo é um peso.

Provérbio Tcheco

Complemento com o bom e velho Sêneca:
É parte da cura o desejo de ser curado.
Só consegue quem quer... quem não quer, empaca.

A cólera prejudica o repouso da vida e a saúde do corpo; ofusca o entendimento e cega a razão.

Diderot

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A porta

Içami Tiba

Se você abre uma porta,
você pode ou não entrar em uma nova sala.
Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra,
dá um grande passo:
nesta sala vive-se !
Mas, também, tem um preço...
São inúmeras outras portas que você descobre.
Às vezes curte-se mil e uma.
O grande segredo é saber
quando e qual porta deve ser aberta.
A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados em acertos
quando com eles se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive,
descobre-se tantas outras portas.
E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos
e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta,
terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação,
é a monotonia monocromática
perante a multiplicidade das cores,
é a estagnação da vida...
Para a vida, as portas não são obstáculos,
mas diferentes passagens!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Um suco de laranja, um bauru, café com leite cor de caramelo com açucar e uma água com gás e limão espremido, por favor.

Mais uma coisinha: leva ali pra mim, na mesa à beira da piscina que eu quero ficar olhando as embarcações atracadas bem diante do meu nariz. Adoro cheiro de mar... ô vontade de ser cais!

P.S. A música leve e a brisa vem de graça.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E restou o corpo dolorido de duas horas de caminhada pesada tentando colocar a cabeça no lugar.

Acordei com aquele gosto ácido de desprezo, passei a manhã mastigando a angústia de não saber o que vinha por aí, deixei-me levar pela alegria da tarde com os sorrisos alheios - muito embora aquilo tudo ficasse palpitando dentro de mim e a cabeça teimasse nos flashes de uma felicidade não tão remota assim - e pensei que fosse terminar o dia melhor. Ledo engano. Recebi a tua voz cheia de impaciência, um desprezo ainda maior e me senti afogada na rispidez das tuas palavras. Não te entendo... e não entendo toda essa má vontade. Às vezes parece que só te atrapalho... Me diz o que fazer, então, porque eu já não sei mais.


A necessidade cada vez mais aguda de ruído só se explica pela necessidade de sufocar alguma coisa
(K. Lorenz)

Soldier of love

Sade Adu

I've lost the use of my heart
But I'm still alive
Still looking for the life
The endless pool on the other side
It's a wild wild west
I'm doing my best
I'm at the borderline of my faith,
I'm at the hinterland of my devotion
In the frontline of this battle of mine
But I'm still alive

I'm a soldier of love
Every day and night
I'm a soldier of love
All the days of my life
I've been torn up inside (oh!)
I've been left behind (oh!)
So I ride I have the will to survive
In the wild wild west,
Trying my hardest
Doing my best
To stay alive

I am love's soldier!
I wait for the sound

I know that love will come (that love will come)
Turn it all around
I'm a soldier of love (soldier of love)
Every day and night
I'm a soldier of love
All the days of my life
I am lost
but I don't doubt (oh!)
So I ride
I have the will to survive
In the wild wild west,
Trying my hardest
Doing my best
To stay alive

I am love's soldier!
I wait for the sound
I know that love will come
I know that love will come
Turn it all around

http://www.youtube.com/watch?v=q4xb9TSIITY

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fotografia

Se eu pudesse, deixaria tudo ali, naquela fotografia. Um beijo de bom dia, o desejo de estar junto, a felicidade incontida, uma palavra solta, um 'eu te amo' que saiu do nada, um sorriso de canto de boca, o abraço apertado, o beijo na nuca e um perfume de saudade que insiste em ficar...
Se eu pudesse, deixava o meu olhar distante, as minhas verdades, as minhas vontades.
Ah, se eu pudesse... me deixava ali, do teu lado, pra te sentir aqui, do meu lado, sempre que te sentisse lá longe e eu... tão perto.

Às vezes é melhor calar-se... Pelo menos não requer resposta.

Cold as ice

E eu? Sigo abraçada aos meus 'achismos'... Culpa tua que os alimenta fervorosamente na caldeira da minha ignorância. Por mais que digas que não. Pelo menos admites a frieza...

Faz de conta

Faz de conta que era amada como amava. Faz de conta que as estrelas ainda estavam ali. Faz de conta que tinha as respostas pra tudo.  Que não tinha as mãos - e os pés - atados. Faz de conta que estava ali porque não queria. Que o sol brilhava lá fora e a chuva não caía por dentro. Faz de conta que não sentia saudade. Faz de conta que era paciente. E assim, esperava. Faz de conta que ele entrava porta adentro outra vez. Faz de conta que vivia de novo, pra não morrer de amor.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Texto 184

Não queria chegar aqui. Não queria sentar-me à mesa como se fosse um velho amigo. Simplesmente não queria.

E o ‘vamos deixar as coisas fluírem e tudo se resolve por si só’ veio como um calço. Essa idéia do tal calço me satisfez por um – curto – tempo, mas depois se esvaiu, pois eu percebi que era só uma fantasia tola. Cresceu em seu lugar o velho sentimento de que já falei, uma sensação de que há algo maior por trás disso tudo. Às vezes, investigando pequenas incoerências, chega-se a grandes descobertas. Eu sentia que o problema era muito complexo para que eu o abordasse sem mais aquela, mas em vez de esquecer, resolvi, como de costume, investigar as causas e os efeitos para ver quais os fatores que poderiam levar a um impasse entre a sua visão sobre aquele calço e a minha. Um impasse. A gente senta e fica de olhar parado, pensando, procurando aleatoriamente novas informações, vai embora, volta, e depois de algum tempo os fatores não detectados começam a surgir.

Não sei... de repente me veio à cabeça a cena dos dois velhos amigos, um católico e outro protestante bebendo cerveja, dando risada um da cara do outro. Até que comecem a discutir sobre o controle de natalidade. A alegria toda se esvai e o que sobra é a intolerância, a impaciência e a vontade de sair correndo.

Achei melhor esperar até que acontecesse algo errado com a sua verdade universal; aí eu lhe mostraria como fazer. Mas agora, tudo me parece tão distante - você está tão distante - que mal consigo tocá-lo. Não sei mais como fazer. Tudo o que eu tento se torna uma avalanche de erros. E você não parece estar tão disposto a me ajudar com isso tudo. Como posso ser eu mesma se você não me dá chance de me aproximar?

O que faço? Espero? Afasto-me? Ou me afogo de vez nesse mar de angústia em que me abandonei? E eu que tinha achado que a coisa poderia não estar tão ruim, acabei por perceber que estava era péssima. É só insistir no assunto que, de repente, a gente descobre que já se zangou, sem nem saber por quê.

Não sei porquê, mas parece que você joga tênis... e eu jogo mal pra burro.

...

Tanta coisa e coisa nenhuma.

E fiquei eu assim, no meio do nada. Um tosco nada. Virei rabisco na orelha do livro de alguém. Bobeia e não me sobrou nem isso. Em que aorta eu me perdi que não me dou nem comigo?

Há dias em que morro de amor. Nos outros, de tão desamado, morro um pouco mais.

Casimiro de Abreu

E eu sigo assim: sempre com uma maldita ausência de qualquer coisa. Uma ausência maldita que me atormenta.

Se uma pausa não é fim e silêncio não é ausência, se um ramo partido não mata uma árvore, um amor que é perdido, será acabado?

Ana Hatherly