segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A porta

Içami Tiba

Se você abre uma porta,
você pode ou não entrar em uma nova sala.
Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra,
dá um grande passo:
nesta sala vive-se !
Mas, também, tem um preço...
São inúmeras outras portas que você descobre.
Às vezes curte-se mil e uma.
O grande segredo é saber
quando e qual porta deve ser aberta.
A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados em acertos
quando com eles se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive,
descobre-se tantas outras portas.
E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos
e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta,
terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação,
é a monotonia monocromática
perante a multiplicidade das cores,
é a estagnação da vida...
Para a vida, as portas não são obstáculos,
mas diferentes passagens!

1 comentários:

Le Vautour disse...

Gê, esta passagem me fez lembrar de um trocadilho: "when a dor is not a dor? When it's ajar." Aos ouvidos, num primeiro momento, ajar soa como a jar (o artigo mais o substantivo). E as portas são, mesmo, para serem abertas, ainda que apenas pelo ato de abri-las. Acho até que este post e o outro, abaixo, estão muito próximos. Robert L. Stevenson (ele mesmo!), em Travels With a Donkey by the Cevennes, põe na "voz" de seu protagonista, quando perguntado sobre o porquê de tantas viagens, a seguinte frase: "I travel not to go anywhere; I travel for travel's sake".
Eu sou, sim, de trespassar portas - e você é, e o ser-humano me parece ser criado para tanto. E quando a porta do caixão se fecha, não estará a abrir-se uma nova porta, para a eternidade?
Dois posts que me fizeram pensar pra caramba.